Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

domingo, 25 de novembro de 2012

it has the most tired feet

in Hornillos del Camiño 2012


it has the most tired feet
on earth, the man had said
while the three of them carried on
the hydrangeas: sitting on its back
the child looked at the donkey and
at life unravelling at each bend in the road
like a sepia photograph from which
one never comes back. a very long
time afterwards, on the same road,
she saw the man on his own, no donkey
no flowers, and recognised in herself
the immense tiredness of the world.
tem os pés mais cansados
do mundo, dissera-lhe o homem
enquanto seguiam os três com
as hortênsias: a criança sentada
sobre o dorso olhava o burro e
a vida que se abria em cada curva
como uma fotografia a sépia
de que nunca se regressa. muito
tempo depois, na mesma estrada,
viu o homem sozinho, sem o burro
nem as flores, e reconheceu em si
o imenso cansaço do mundo.
© Translated by Ana Hudson, 2011
in 21 Haiku com Asas, Urbano E Cabras, 2008
(Renata Correia Botelho)

domingo, 15 de julho de 2012

À distância de metros


Deixaste ficar um poema quando
levada de mim trocando meus cinco dedos por
outros
dois de conversa. Do outro lado da sala
(à distância de metros)
cruzámos um olhar vadio quanto dois desconhecidos
que se ferem de raspão
num corredor de autocarro. Desse
teu vestido injusto
(à distância de metros) o
teu olhar sobre o meu soltou qualquer coisa aguda
(qualquer
coisa em carne viva) qualquer
coisa de adultério.
JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES

terça-feira, 5 de junho de 2012

A poesia vai (está) à praia de leça

" O poeta pode contar ou cantar as coisas não como foram, mas como deviam ser  "
  
       (sobre
a praia de fuzelhas
leça da palmeira)                                  

Torpor

Caminho na sua peugada sobre
cabelos de algas penteadas pelo arco instável da
rebentação. E quando os seixos fenecem
(se lhes evola o brilho)
cotejamos na toalha o escol
de cada mão : os
dela (vermelhos sépia brancos
ocre) de cores claras
na minha mão há cinzentos (mais
pequenos)
nunca claros. É o
mapa de novos dias o que es
colhemos da praia :
tenho os seus como tijolos para começar castelos
os meus (quase que) nem pedra
ossos
pó de cremação.

João Luís Barreto Guimarães,

poesia reunida











.






 .
   foto leça antiga de Artur Pinto


















domingo, 25 de março de 2012

I - VOLTAS À VOLTA DA OBRA DO GABÚ-SONACO


                                " à volta do bissilon com a meninada à minha volta "
Ano : 1990
Período : Maio a Agosto
Local : Gabú

DIA DA MENINADA

Seria bom viver num Mundo Global.
C'má era bnite vivê num Mundo de Nôs tôde
sem haver tristes crianças
sem encontrá tristes m'nines
com vidas nessas Áfricas de riqueza colossal
tá sofrê nesse África de riqueza demundo
onde a amarga verde folha é comida...
donde pájâ ê góra c'mida de gente


===================================


Sim, viver num Mundo Global
Sim, morâ num Munde de Tude Gente
onde não existam costelas arcadas,
sem odjá costela de gente saíde
sujidade e moscas na face angelical
miséria, moscas naquês carinhas de m'nines
De meninos com vidas acabadas
De m'nines de vida cabôde


Por este Nosso Mundo tão desigual,
por causa deste nôs munde desgraçôde
d'esbanjamentos de comidas
de fartura de c'midas na caxôte de lixe
onde não se vê ténue sinal
sem mostra de crê mudâ,
de Bondade p'ras Almas sem Vidas...


E nós, aqui, viramos a cara pr'os lados,
e tude gente ta vrá cara pâ lôde!
o mesmo fazendo os Governantes,
Moda governantes que ta mandá
nossos e delas - pobres Áfricas!
De nôs e d'eze - pobre África!
ó África pôbre das enxadas
sem tchuba pâ enterrâ grão de midges...

Portugal 11/6/2005 - Forte da Casa
adriano.gominho@sapo.pt

terça-feira, 6 de março de 2012

NA VÉSPERA

Na véspera de nada ninguém me visitou.
Olhei atento a estrada durante todo o dia
Mas ninguém vinha ou via, ninguém aqui chegou.

Mas talvez não chegar
Queira dizer que há
Outra estrada que achar,
Certa estrada que está,
Como quando da festa
Se esquece quem lá está.