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domingo, 15 de julho de 2012
O Rio Quá-Quá ... embora desaparecido ainda não secou !!!
Há coisas que acontecem quando as palavras galgam as margens do nosso rio e correm vagarosamente até ao grande oceano da amizade .... afinal parece que o rio Quá-Quá ainda não secou. Pelos vistos continua a debitar caudais enormes de memórias e a construir pontes entre amigos que não de peito mas de vivências enormes nos mesmos lugares de infância e juventude. . . não perder os lugares, as coisas, os relatos, as memórias das pessoas que se moldaram entre si, moravam nas mesmas ruas e que conheciam as casas onde cada uma delas habitava, as suas famílias quase como numa aldeia qualquer onde todos conheciam o Rio de Quá-Quá, fonte de energia, amizade e conhecimento na antiga Leça da Palmeira.
(*****)"Fui visitar o teu Blogue, lendo com especial atenção teu Rio Quá-Quá da nossa infância. Quanta saudade.
Fiz uns acrescentos ao teu texto que levarás ou não em consideração porque te esqueceste de alguma malta, ligeiramente mais velha do que tu.
Por exemplo o meu primo Horácio Anselmo que morava na Rua Sarmento Beires em frente aos Maganinhos e que jogou basket no Leça apesar de não ser muito alto. Julgo que foi pupilo do Cláudio e contemporâneo do Artur que morava na Rua Coronel Sarsfield.
Esqueceste-te do António Andrade que morava na esquina de Humberto Cruz com Sarmento Beires, por cima do Manel Edgar (o pai chamava-se Hildegardo, mas era conhecido por senhor Edgar) tio dos António Caetano Soares, Zé António e Xico (o terror dos gatos).
Na Rua Humberto Cruz, quase pegado à loja do senhor Alfredo e da Emilinha, morava o Santos "morre ao sol" que jogou futebol no Leça e na APDL.
Na esquina da Rua General Carmona com Sarmento Beires, moraram dois amigos, o Manuel Bonito e o Filipe, lembras-te deles? A carpintaria na Rua Sarmento Beires, de que falas, era do senhor Bernardino casado com a Candidinha, pais de três filhas.
Não falas da tua quase vizinha Adelaide e do seu irmão ( Zé) Pedro, filhos do senhor Cardoso e da Glorinha, que moravam entre a casa da Mariazinha e a casa do senhor Monteiro, pai do Berto.
O senhor Alexandre da loja da Rua Manuel Gouveia é irmão (não cunhado) do senhor José Polícia.
Antes que me esqueça, lembro-me perfeitamente do cão que referes ( o cão preto chamado LATAGÃO ), que eu julgava ser teu, que fugia aos apanhadores de cães vadios da câmara. Era um espectáculo com vocês a ajudar a complicar a vida aos homens ajudando o cão a fugir.
....Na Rua do Sol Poente, mesmo no sítio do "falecido" Campo do Leça, assim a olho, no local onde era a tasquinha e havia uma porta de saída ( e uma cabine eléctrica ) para o Monte. Estás lembrado?
A propósito, julgo que no Monte nunca se secou bacalhau, mas sim redes de pesca."
(***** ETIQUETA : chat Carlos E. Vinhal )
segunda-feira, 11 de junho de 2012
A caminho do Rio de QUÁ-QUÁ
QUADRO DE MEMÓRIAS - o caminho pro rio QUÁ-QUÁ
Localização +/- do QUÁQUÀDe verdade não se tratava de um rio, mas de uma grande poça que se enchia de água no inverno e primavera.
Durante o tempo que morei em Leça da Palmeira na Rua Brito Pais logo acima da Rua Sacadura Cabral da Lininha da escola pré-infantil, do Tony dos Carvalhos, do garageiro da Amorosa, do Tó Neves dos Mouras, dos Ratinhos, da Amélinha dos Gatos, da ilha da Bruxa e da "loja do Sr. António Trafulha", mais tarde "Adega da Bruxa" várias foram as vezes que lá me desloquei só ou acompanhado. Eu, por altura da minha infancia, pertencia à seita da Aldeia Nova era bastante conhecido e popular com muitos amigos e vizinhos que vou agora recordar, sabendo,desde já, que nem todos vão aqui ser registados.
Na Rua General Carmona hoje em dia Rua General Humberto Delgado , ao começar a rua no cruzamento com a Av. dos Combatentes da Grande Guerra moravam :
O Venâncio, (cujo pai Sr. Venâncio era Construtor Naval e até tinha um estaleiro à beira , expressão típica de Leça, da Ponte Tavares, mais ou menos no enfiamento da intersecção da Quinta de Santiago com a Quinta da Conceição, terminava aqui o porto a nascente da ponte móvel , com as obras de ampliação do Porto de Leixões teve que mudar para a Telegrafia, tendo os Fèrrinhas mudado para a Rua Hintze Ribeiro), junto à loja da Milheira e da ilha do Lima, sobrinho da velha glória do Basket de Leça , da "Adega dos Paivas" dos armazéns de vinho , o Manuel Faustino , mais acima o Nelson filho do Sr. António, da Fábrica das Cordas do Quintas & Quintas, que uma vez me apanhou sentado a comer morangos na Quinta do Rangel pegada à Fabrica e que ele guardava,o Carlose o Mário Foma e irmão mais velho banheiro, o Quim da Birra e irmão, o Zézinho das pombas, os Rabumbas ( 2 rapazes e uma rapariga) que pertenciam ao Rabumba o "Aveiro" com busto no jardim junto à Capela de Ruas dos Franciscanos , o Zé Manel dos Jeovás, a Sãozinha que o pai estava para a Venezuela, a Alzirinha Cardona catequista, o Manel da Guida dos Caetanos sendo que dois deles o Zé António e o irmão o Xico Caetano jogaram nos Leões da Agra,o Zé Quitolas e o irmão Adriano das Gagas, peixeiras, o Quim Farrameco, das Pichorras :o Zeca Taira e o Berto fundadores dos Santistas clube de futebol amador e que depois de terem regressado do Ultramar emigraram para o Luxemburgo, o Berto Choiças, filho do Monteiro dos Táxis, O Zé Henrique e irmão Zé Fim filhos do Sr. João Sá Pereira que chegou a ter uma Confeitaria na Rua Fresca em frente à loja do Manel Sem Pila, , todos eles me conheciam bem e carinhosamente me tratavam pelo nosso Mário "Gato" ou Mário Brazuca, que nunca foi ao Brasil mas tinha lá o pai e o irmão Nélinho Gato .
Todos nós nos conhecíamos pelas alcunhas próprias ou das familias.
Na minha Rua de Brito Pais residiam ainda, o Fernando Garcia filho da Ireninha, enfermeira, o Desidério Rato, O Jesus Cambey, cunhado do Té, morava, com o "papi" o Sr. Eugénio da Fábrica Ramirez e "mani"em frente à minha casa naquela que fora a casa da Dona Zaida e prof. Dona Beatriz de Portugal do Externato Avé Maria à beira da Capela de Ruas, dos Pissas Rotas : o Manel Reis , a Ana e o irmão Tone Cholas, o Edgar Lima " Shalouza",filho do Sub chefe da Policia o Sr. Lima, o meu senhorio que morava por cima de mim o Sr. António das Flores e que foi jardineiro em casa do Conde de Leça Nogueira Pinto que fez uma estufa toda em vidro e tinha sempre, gladíolos, avenca, crisantemos, dálias rosas, tulipas e todo o tipo de flores que vendia para o mercado Municipal de Matosinhos para a loja do florista do Sr. Joaquim das Flores,que podia observar do meu quintal e tinha tambem um cão chamado LULU, o Zé Luis " o Vaca espantada" que era neto da Gracindinha mãe do nosso Zé Luis dos Leões, o Sr. Constantino,sapateiro, (dono de um cão o JOLIE que levávamos - o Mário, o Zé Luis, o Tone Larangeira, o Xico Caetano - na caça aos gatos até à Rua Nogueira Pinto no Corpo Santo) e que naquele tempo tratava das chuteiras colocando-lhes as travessas a oficina era pegada à loja do Sr. Alexandre,(junto à casa do Sr. Arquitecto Bruno Reis que projectou a Residência Paroquial e o Salão para a Igreja do Padre Alcino como nós dizíamos), no lado oposto um talho de esquina em frente na que foi casa de arquitecto nasceu a que foi mais tarde a sede da Portuguesa de Leça na Rua Direita ( a mais torta de Leça) esquina com a Congosta do Abade.
No Constantino sapateiro trabalhou também o Zé da Padeirinha que morava na Rua Humberto Cruz em frente da casa do Fernando, da Maria Aurora, que vendia hortaliça na loja de esquina com Rua Sarmento Beires e, que chegou a correr ciclismo na Ambar, o pai era marmorista e tinha estabelecimento já na subida para Santana mas próximo à porta de baixo do cemitério, nesta rua mais abaixo ficava a loja do Sr. Alfredo e mais acima no mesmo passeio e depois de passar a loja e "Mercearia do Sr. Francisco" ficava a do irmão " "Mercearia do Sr. Artur",a loja de electrodomésticos do Fernando Santos, " o bóia", pai do Fernando Santos do CAL,ficava em frente à loja " Mercearia da Emilinha" esposa do Sr. Alfredo.
Na Rua Sarmento Beires morava a D. Mariazinha do Edgar (sogra do Venãncio) e irmão, havia uma carpintaria de limpos,a loja do Sr. José , " Adega do Policia " cunhado do Sr. Alexandre que tinha uma loja no Monte," Adega do Alexandre", o Fernando Chanana,o Quim do Monte,do outro lado depois de atravessar a Rua General Carmona ,o Lúcio, que foi guarda redes dos Magiares e do Leixões,o Carlos Vinhal, o ZéZé, os Bentos,os Maganinhos : o Tone e o Quim que foi dos leões, o irmão adoptivo Zé Maria e o Corsário , o Josué Maravalhas dos Magiares que foi trabalhar para a Facar, o Artur Lopes, ao virar para o largo do monte logo a seguir à quinta da Rangel e ao quintal do Sr. Alexandre da loja tinhamos para um lado a casa dos Barquinhos junto à cabine da luz, para poente a casa do sapateiro e o campo dos arames para a seca do bacalhau em frente a casa do Miguel e Edison Mota e do Manel e Zé Henriques dos "Casquinhas" .
Na Rua Manuel Gouveia o Zé Viana e os sobrinhos Manuel João e o irmão Albano cujo pai trabalhava na APDL, o Américo "Vai-Sempre", os " grilos" Quim , Tone e Candido Grilo, o José Tatarita que era cunhado do Malhão casado com a Arminda Araca e que moravam todos na ilha dos Grilos e na esquina o dono da Tipografia Arteal depois de passar a General Carmona para o outro lado residiam o Joaquim Viana e na mesma casa os Ritas em frente a Ção Pichorra casada mais tarde com o Fernando Monteiro que chegou a Presidente do Leça Futebol Clube e assim chegados à Rua Humberto Cruz íamos encontrar a casa dos Chaves, Américo Belém, Zé do Carmo, Zé Pimpim, o Pepe carpinteiro que era guarda redes, o Quim Marrassol, o Joãozinho, jogou nos Leões de Leça e da Agra e no Leça F C.
Na Rua Coronel Sarsfield, os "Grulhas" : Benjamim, Jaime e Tone e mais tarde aqui abriu a "Adega do David", na Travessa da Agra havia a " Adega do Barriguinha", o " Talho do Senhor José" e mais tarde abriu o " Tone das Francesinhas ", o Rafael Carvalho e o irmão Fernando Fufas, que era padeiro na Padaria Luanda, onde de madrugada íamos ao pão, o Manel Gavina "Poveirinho", que morava na ilha da Chica à Nora, o Manuel Silvério da "Francesa", os Neivas, o Tone e o Manel, o Heitor, barbeiro e do Teia e o irmão Rogério e dando a volta para baixo, ao passar pela "Adega do Avelino" onde se cantava o Fado.
Aí ficava o larguinho da Aldeia Nova local onde o Teia tocava nas rifas de S. João, tinhamos o "Café Laika" do Sr. António onde jogávamos aos matraquilhos, snooker, ao 31 com 3 bolas de bilhar, à sueca , ao dominó ao belga, à bisca de seis neste jogo era frequente o Inocêncio Rato pegar-se com o Artur ( eram os dois estivadores), o Marta, o Quim Grilo, o João Frasco e o irmão Manel Frasco, o Zé Viana formavam a equipa mais apreciada, o Sr. Páscoa da GNR, que nos perdoava as multas ao jogar à bola na Rua, morava aqui bem como o António Lima "Brites", o Madalena e o irmão Nélinho "Toydd", que gostava muito de filmes de Karaté quando os 1ºs foram exibidos no Salão Paroquial, na ilha dos Larotes, logo abaixo do Café Laika morava o Quim Mascote quase em frente à loja do Sr. Ribeiro que tinha na montra uma lousa de escola onde escrito a giz se podia ler : "Adega o Ribeiro é Aqui " . Todos os dias à tarde, com ordens de ir para bordo às 10 da noite,os camaradas, contra mestres e mestres de traineiras, arrastões de pesca ou rebocadores da APDL vizinhos reuniam-se aqui para jogar ao "Twist", "Sueca", "Damas" e "Domino" quase sempre quem perdia e teria que pagar para todos uma receita de vinho e cerveja,cheguei a comer lá uma " caldeirada de lulas pequeninas" preparada por pescadores amigos, foi comer e chorar por mais.Clientes: João Tatarita, Malhão,mestre João Algarvio ( pai do Helder de Cabanas e tio do Varinho ), que viviam junto ao José Rato das pombas de concurso, o Valente ,o Tone Norinha irmão do Zé Nora e pai do Norinha que foi do Teia e eis que chegamos de novo à Rua Manuel Gouveia onde iniciamos o caminho para o rio.
Começa na Travessa do Monte flanqueamos a casa do Zé Viana entramos na Quelha, por onde o lavrador Sr.Abóbora, proprietário dos campos, fazia ir e vir a carroça dos bois para transporte de tudo, à direita as hortas dos vizinhos com todo o tipo de hortaliças e mais alguma, bem tratadas até chegar ao larguinho da Aldeia Nova à esquerda o pinhal de pinheiros bravos e mansos do abóbora.Seguimos em frente e paramos junto à Nora, aproveitamos e comemos uvas americanas já maduras, amoras e com a fisga de borrachas virgens atiramos a algumas flausinhas difìceis de atingir mas que nunca fogem tornando-se um alvo de caça apetecível,Quando a terra a nascente até à viela que vai para Rodão ,outrora campo de milho, está lavrada atira-se aos pardais ou armamos com ratoeiras a fogo às chirinas o lagarto da espiga do milho era o isco, Do lado poente até à Rua da Telegrafia um grande lameiro com choupos e espaço aberto até ao Rio Quá-Quá onde nós armamos aos Pintassilgos com cardos e varetas de visgo, tinha êxito, sucesso na caça quem tivesse o canário-travesso mais cantador para chamar ao visgo os pintassilgos.
Chegados ao Quá-Quá o chilrar das rãs, as colheres de pau fazem recordar as tardes solarengas de sábado e domingo onde a seita da aldeia nova cujos nomes quase todos aqui citei confraternizava jogando ao Quino ( Bingo), ouviam relatos de futebol e combinavam encontros de futebol.A cabine de Alta tensão cercada a muros com arame farpado era ponto de referência a norte deste local.Aqui recordo uma ocasião que tendo levado comigo o cão "LULU" que não me pertencia a passear o atirei a este "Rio".Como o pensei ver atrapalhado atirei-me todo vestido á água do Rio de Quá-Quá para o salvar e o devolver direitinho ao seu legitimo dono o meu senhorio o Sr. António das Flores.
terça-feira, 5 de junho de 2012
PRAIA DOS BEIJINHOS
O BEIJINHO
Derreando as costas
Derreando as costas
á procura
do beijinho
na areia
que o mar
amante enrolado
lhe deu
tanto vem
como vai
largando a
espuma branca
para escanhoar
o burgau que
agora brilhante
se junta.
O
O
meu
na praia deles encontrei
para ti
é
teu.
para ti
é
teu.
A poesia vai (está) à praia de leça
" O poeta pode contar ou cantar as coisas não como foram, mas como deviam ser "
(sobre
.
foto leça antiga de Artur Pinto
(sobre
a praia de fuzelhas
leça da palmeira)
Torpor
Caminho na sua peugada sobre
cabelos de algas penteadas pelo arco instável da
rebentação. E quando os seixos fenecem
(se lhes evola o brilho)
cotejamos na toalha o escol
de cada mão : os
dela (vermelhos sépia brancos
ocre) de cores claras
na minha mão há cinzentos (mais
pequenos)
nunca claros. É o
mapa de novos dias o que es
colhemos da praia :
tenho os seus como tijolos para começar castelos
os meus (quase que) nem pedra
ossos
pó de cremação.
João Luís Barreto Guimarães,
poesia reunida
| . |
.
foto leça antiga de Artur Pinto
segunda-feira, 4 de junho de 2012
MEMÓRIAS - " Quero um Fino, uma Francesinha e um Cimbalino"
Um Fino e Francesinha Aquele "sitio" onde socialmente tudo acontecia era o Café.
Leça fervia de movimento nos anos 60/70 .
Junto à Igreja Matriz situava-se, para alguns, o centro com a Junta de Freguesia, correios, bombas de gasolina Shell e Sacor e a paragem términus do autocarro 76 dos STCP com o quisosque onde se registava o totobola e compravam os jornais : Comércio do Porto, 1º Janeiro, JN, A Republica, o Diário Popular, Diário de Lisboa, Norte Desportivo, Bola, Record, revistas e tabaco :
SG,PORTO,RITZ,MONSERRATE,KENTUCKY,PORTUGUÊS SUAVE,AVINTES,PROVISÓRIOS, DEFINITIVOS,ETC...
.FUMAR MATA
As empresas de transporte de passageiros da RESENDE e CASTELO DA MAIA com carreira para norte: Perafita, Lavra, Angeiras,..também tinham aqui a sua paragem, junto à actual praça de Taxis.

A actividade laboral era intensa : Facar(fábrica de tubos metálicos, de servente na Galvanização da 1/2 noite às 06:00 H da manhã,soldador de fita para tubo na máquina R20, turno das 6 às 15 H e 15 às 24 H alternadamente por semana, a despenseiro na Cantina no turno da noite, 15 ás 24 ).
Por essa altura, deu-se início à construção, nos terrenos da "areia de same", da Refinaria da Sacor. Então, por cá, viam-se muitos estrangeiros trabalhadores qualificados das principais empresas que a construiram : Foster Wheeler (USA); Comsip (FR) ; Snamprogetti (IT) . Da participação lusa ( é o nosso destino : sempre tarefeiros dos poderosos da Europa) recordo os subempreiteiros de mão de obra pouco qualificada : a Mecanomar (Leça) e F.Mocho (Matosinhos). Por altura das paragens qualquer um de nós podia arranjar trabalho numa destas empresas. Aos rapazes, enquanto não tivessem a tropa feita era quase impossível uma colocação no mundo do trabalho.

Estaleiros Navais ( Férrinha), Conserveiras (Ramirez, Eifel,..),Fábrica de Cordas do Quintas & Quintas, APDL ( oficinas gerais), Porto de Leixões com cais de carga e descarga com os seus muitos Guindasteiros e estivadores, Madeireiros , Transitários, Pescadores ( arrasto, artesanal, traineira ) , Pilotos de Barra ( que saiam do cais do relógio ) , devido à actividade maritima os tripulantes dos navios mercantes encontravam em Leça o "STELLA MARIS" para alguns
e para outros os bares de alterne: Cubata,Cervejaria Pinto,Cabana,Esporão,onde se podiam relaxar, divertir...e pôr a conversa em dia.
Os mais novos enquanto estudantes frequentavam : as escolas primárias públicas (d'Amorosa, da Praia (duas), do Corpo Santo (só para meninas), e os privados colégios Stº António e externato Avé Maria ; no ensino secundário : Liceu Nacional D.Manuel II ( secção de Matosinhos - ao jardim Basílio Teles ) e Escola Industrial e Comercial de Matosinhos os alunos, quase todos na sua maioria, deslocavam-se para as aulas a pé, atravessando a Ponte Móvel seguindo pela Rua Conde Alto Mearim até às escolas 4 vezes ao dia demorando em cada percurso cerca de 45mn ( horário para almoço 2 horas!).
No Desporto o acontecimento foi o Campeonato do Mundo de Futebol de 1966 assisti ao jogo Portugal 5 - Coreia do Norte 3 num dos poucos cafés com Televisão ( Preto/Negro ) o "Café Leça" propriedade de uma antiga glória do ciclismo o Sr. Agostinho Brás.
Outros cafés : Café Nacala,Conf. Briosa,Café da Ponte, Café Laika,Café Titã, Café Maravista,Marimanda,Café do Florival eram tambem ponto de encontro para se pôr a conversa em dia ou estudar. As horas mais procuradas eram : a) Intervalo para almoço ; b) Tardinha saída de trabalho ; c) Após jantar até 22:30 H.
O cinema começa aparecer, primeiro, com a construção do Salão Paroquial da Igreja de Leça e, mais tarde, com a inauguração do cinema Chaplin junto ao café da Ponte e confeitaria Star, à ponte móvel.
Os mais velhos, já reformados, nas salas de jogos entretinham-se jogando ao Dominó ( ao Belga e Passe ) ou cartas ( sueca, copas e bisca ) e os mais novos ao Bilhar snooker ( por vezes ao "matos" ) e bilhar livre ( ao 31 ) até à hora do jogo do Leça FC ( sempre às 15:00 H de domingo ) . Os cafés enchiam de gente que íam ver os encontros antes e depois do jogo.
Bolas de snookerNas noites de sábado os jovens deixavam-se estar no café até mais tarde ( quem pagasse a licença poderia fechar às 2:00 H da madrugada ) e, então, no meu caso no Café Leça, era habitual e sistemático, por volta da 1/2 noite, o pedido : " Quero um Fino, uma Francesinha e um Cimbalino, por favor" ( Menu = 300$00= 1,5€ ).Os empregados na altura eram : O gerente António (Tone das Francesinhas), ao balcão: o João, às mesas ; o Agrelos, o Manel, e o Zé ( irmão do fadista César Morgado) que muito me aturaram e que recordo com a amizade .
Um cimbalino
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Alinhando o novo pelo velho ....
" A fotografia é a poesia da imobilidade : é através da fotografia que os instantes deixam-se ver tal como são"
Peter Urmenyi
O Norte é-nos indicado pelo reabilitado e requalificado edíficio do antigo núcleo das oficinas da APDL em Leça da Palmeira.
O Sul pelo colossal guindaste "TITÂ" usado na construção do Porto de Leixões.
Peter Urmenyi
O Norte é-nos indicado pelo reabilitado e requalificado edíficio do antigo núcleo das oficinas da APDL em Leça da Palmeira.
O Sul pelo colossal guindaste "TITÂ" usado na construção do Porto de Leixões.
quarta-feira, 7 de março de 2012
ECLOSÃO DA «IDEIA»
«Sim, a minha «ideia» é aquele castelo em que sempre, em
qualquer caso, me posso resguardar de toda a gente, nem que seja como um
mendigo morto num vapor».
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